Super-Heróis - Ao Infinito e Além da Diversão

Por Remoto Controle -Jessé Costa em 19/02/2021
Super-Heróis - Ao Infinito e Além da Diversão

Alan Moore, um dos maiores quadrinistas do mundo, recentemente soltou esse polêmico comentário, para arrepio dos fãs dos filmes de super-heróis:

“Eu não vi um filme de super-herói desde o primeiro Batman de Tim Burton. Eles arruinaram o cinema e também a cultura até certo ponto. Há vários anos, eu disse que achava um sinal realmente preocupante, centenas de milhares de adultos fazendo fila para ver personagens que foram criados há 50 anos para entreter meninos de 12 anos. Isso parecia indicar algum tipo de desejo de escapar das complexidades do mundo moderno e voltar a uma infância nostálgica e lembrada. Isso parecia perigoso, estava infantilizando a população”.

Bem, quem somos nós para polemizar com um mestre, que criou Watchmen, por exemplo (que virou filme e, na minha opinião, não nos leva a nenhuma “infância nostálgica”), mas vou indicar 3 séries de super-heróis (sim, 3, porque uma das poucas coisas boas que esses tempos de afastamento social nos trouxe, foi a possibilidade de maratonar) que, além de divertir, nos ajudam a avançar, cada uma do seu jeito, em nosso processo crítico de reflexão. As 3 séries, inspiradas em quadrinhos, deixam de lado aquela velha história do bem contra o mal, em que o herói, com as cores da bandeira dos USA, vêm para nos salvar. Vamos lá:

 

1- Patrulha do Destino ou Doom Patrol no original (DC Comics, 2 temporadas, disponível no HBO Max): A série, em meio a climas cômicos e sombrios, explora os dramas pessoais de um grupo de heróis composto por um cientista disposto a tudo para salvar sua filha, um piloto de automóveis que é péssimo marido e pai, uma atriz gananciosa e invejosa, um piloto de testes de foguetes receoso de se assumir no mundo, uma garota que sofreu abuso sexual e um ciborgue com conflitos paternos. A cada tomada de decisão, a cada caminho tomado, uma consequência, que ao invés de torná-los super-heróis, os aproximam cada vez mais de nós, pobres mortais. Ou alguém pode se dizer que nunca esteve na posição destes seres humanos? Se prepare ainda para o bizarro, o absurdamente incrível, como uma barata fanática religiosa e um portal dimensional no lugar mais inimaginável.

2 - Umbrella Academy (2 temporadas, disponível na Netflix): A grande virtude desta série é saber dosar bem fantasia com fatos verídicos, principalmente do período em que o mundo viveu a guerra fria. A equipe é formada por sete irmãos. Na verdade é difícil dizer que eles formam uma equipe logo de cara, pois terão antes de resolver problemas que encontraríamos em toda grande família, tais como: rejeição, a predileção dos pais, amores não correspondidos, o medo, além de outros nada comuns como a destruição do mundo.

3- The Boys (2 temporadas, disponível na Amazon Prime Vídeo): Se nas indicações acima ainda é possível se perceber traços da luta do bem contra o mal, em The Boys essa fronteira se embaralha completamente, pois logo de cara, quem representa aparentemente os mocinhos, os “the boys”, não são os super-heróis, mas quem tenta destruí-los. Num mundo onde todos parecem ter interesses escondidos por traz de cada ação ou palavra, onde tudo é feito com objetivos comerciais e a mídia e religião manipula a tudo e todos (ainda bem que não vivemos num mundo assim e isso é só ficção, ufa!), vivem “Os Sete”, não os únicos, mas os mais poderosos heróis da terra. Com claras citações à Super-man, Mulher Maravilha, Liga da Justiça e outros, “The Boys” é justamente uma crítica ao uso simbólico de super-heróis para se vender o modo de vida americano e seus valores, mas que pode muito bem ser aplicada a qualquer outra sociedade capitalista. Isso faz desta, de longe, a melhor das 3 indicações.

 

Aí estão, 3 séries “fora da casinha”, como disse o Zinho no excelente episódio 5 do “PodcastZinho Cultura Pop”.

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Até a próxima!

Comentários

  • Excelente mat
    Arinaldo Silva
    27/02/2021
Aguarde..