Mulheres na Pandemia

Por Selenita O Poder da Mulher - Laila Fidelli em 10/10/2021
Mulheres na Pandemia

Algo surpreendente chegou ao mundo: a pandemia... Causada por um vírus, que iniciou a contaminação lá do outro lado do mundo, e de repente, cá estava no Brasil...

Li uma frase muito profunda esses dias dizendo que a pandemia expos nossas fraquezas. Seja ela de qual ordem. As fraquezas, as lacunas, as feridas abertas em vários setores pelo mundo a fora também. A fome, o descaso, a triste desigualdade social, de gêneros. A covardia, o egoísmo, o orgulho, a falta de amor...

E como ficamos nós mulheres diante desse pesadelo? Se as pesquisas não estão favoráveis para as mulheres, isso quer dizer que a realidade está pior ainda.

Com a pandemia, a participação das mulheres no mercado de trabalho é menor em 30 anos. Com o isolamento, muitas mulheres ficaram desempregadas. Algumas não conseguiram conciliar o home office com as tarefas da casa e o cuidado com os filhos.

Todos os serviços ficaram concentrados no mesmo local, a casa! A mulher, se viu presa dentro de um labirinto, por onde quer que fosse, havia uma tarefa a ser realizada. As 24 horas diárias não foram suficientes para resolver tantos problemas. E ainda, supervisionar os filhos para que assistissem as aulas online, emprestar o celular para fazerem suas lições, proteger a família contra o coronavírus e não surtar!!!

Essa é uma visão dentro do meu mundo, obviamente, muito mais crítico dentro do mundo das minhas irmãs que vivem em comunidades carentes. Simplesmente, ficaram sem trabalho, na maioria de diarista, seu mundo de confinamento resumido a 1 cômodo, com 4, 5, 6, 7 filhos e pouca ou nenhuma comida a oferecer a essas crianças, e o medo de perder a vida ou de seus entes para a pandemia que crescia impiedosamente.

Foi triste ver no rosto de minhas irmãs, a baixa estima. Tanta coisa faltando, e pouco e nenhuma visão do horizonte pela frente, faltou a esperança em muitos momentos. Até a pobreza menstrual veio à tona, mas ela sempre esteve lá, já estava na rotina delas, se havia falta de comida, imagina os cuidados íntimos!

Outro triste índice que cresceu contra as mulheres foi a violência doméstica.

A convivência dentro do confinamento se tornou ainda mais insuportável, dando lugar a violência de todas as formas: verbal, física, sexual. Com a pandemia, a denúncia de crimes se torna mais difícil, além dos abrigos e clínicas de apoio estão fechados ao atendimento.

Algumas campanhas foram criadas nas mídias sociais e alguns recursos disponibilizados. Os já conhecidos como a linha telefônica policial, 190, e a linha de apoio específica para violência doméstica, 180. As ferramentas online como os Maria da Penha Virtual a plataforma do Mapa do Acolhimento, uma rede de solidariedade que conecta mulheres que sofreram violência de gênero a psicólogas e advogadas voluntárias de todo o Brasil.

 

Desenvolvida com o apoio do Facebook e Google foi criada a ISA.bot. Por meio de uma experiência interativa, a Isa.bot apresenta conteúdos para diferentes públicos e situações. As usuárias podem navegar por três fluxos principais: Violência Doméstica, Violência Online e Saber Mais. Ao acessar as duas primeiras a bot oferece ferramentas para mulheres que estejam sofrendo ou tenham sofrido violência. Para ativar a ISA.bot, basta chamá-la no Messenger da página IsaBot no Facebook, e ativando, por escrito ou verbalmente, por ” OK Google, falar com Robô Isa” no Google Assistente. Ao somar o recurso do chat (pelo Messenger) ao recurso de voz, o objetivo é ampliar o alcance e a atuação da bot, considerando que nem todas são fluentes na linguagem escrita ou digital.

Entre tantos índices contra as mulheres, houve um grande destaque justamente na tão sonhada vacina contra a covid-19. É um fato emocionante que a história das vacinas tenha sido protagonizada por mulheres cientistas. Katalin Karikó é considerada pela mídia internacional como a mãe da vacina contra a Covid-19. A sua equipe foi a primeira a desenvolver uma vacina de RNA e a obter ajuda dos institutos nacionais de saúde para conseguir financiamento de empresas e testá-la em humanos.

Na linha de frente, no combate à pandemia, lá estavam muitas mulheres sejam elas enfermeiras, médicas, frentistas, motoristas, faxineiras, balconistas de estabelecimentos comerciais considerados de extrema necessidade. Aplausos às heroínas que não deixaram o mundo parar, que foram nosso suporte durante dias sombrios. Que seus exemplos de amor ao próximo, de resiliência, seja nosso incentivo para um novo recomeço.

E que as feridas, lacunas, fraquezas da humanidade, aquelas escancaradas durante a pandemia, possam em fim, serem sanadas e não escondidas em baixo dos panos sujos de uma sociedade hipócrita, que tenta manter a pose a qualquer custo, sobre a dor seres inocentes por pouca em nenhuma voz. Que possamos refletir cada dia de nossa existência, sobre o que vivemos, e o que realmente aprendemos, deixando que o tempo dissipe toda dor vivida, por nós e por nossos semelhantes. Tempo de reflexão minhas irmãs!

E que nunca nos falte ânimo para seguir!

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