Luciane Brito - Psicologia em Arte - Conectar É Estar Perto?

Por Luciane Brito em 16/11/2020
Luciane Brito - Psicologia em Arte - Conectar É Estar Perto?

Conectar É Estar Perto?

 

Até pouco tempo muito se falava em “NETWORK”, que traduzido do inglês significa: rede de contatos. Termo que vem perdendo espaço para “REDES SOCIAIS”, plataforma que conecta pessoas que compartilham interesses em comum de ordem pessoal e/ou profissional.

Cada vez mais aumenta o interesse pelas redes sociais, da mesma forma que novos aplicativos vem surgindo atualmente como forma de facilitar o dia a dia das pessoas.

Agora será que essa ferramenta tão falada e tão explorada atualmente, está sendo bem utilizada?

Basta um click para que se tenha uma pergunta respondida, uma curiosidade sanada, para que nasça uma amizade, a música preferida seja ouvida, assista-se um filme. Através de um click as pessoas se unem e também se distanciam, muitas vezes sem ao menos conhecerem-se pessoalmente; compras e contratos são feitos e desfeitos ainda que sem sair de casa. E assim, o sedentarismo avança; afinal as mínimas caminhadas ficaram escassas com as facilidades virtuais.

No século XXI as doenças mais faladas são as de ordem emocional e psicológica, tais quais: depressão, transtorno de ansiedade, síndrome do pânico, chamando a atenção para o medo e a tristeza primordialmente. Mas, preste atenção que nem sempre há uma doença diagnosticada; o que há é o click para fugir do enfrentamento. Ao entristecer-se as pessoas têm recorrido a procurar alguém que esteja conectado para desabafar; ao perceber a presença do medo em sair de casa, em ir a uma festa, a “solução” buscada é distrai-se nas redes sociais.

Tristeza e medo fazem parte da vida do ser humano, enfrentá-los, conhecê-los, é aprender lidar com as adversidades da vida, é reconhecer as fragilidades e as potencialidades em cada ser. Porém, com a chegada das redes sociais, um mundo em paralelo tem sido criado, mundo esse onde não há tristeza, medo, frustração, aceitação; pois basta um click e se desconectar do que não agrada. As relações em diversas circunstâncias passaram a ser banalizadas, o que importa é quantas pessoas formam a rede. Ficar sozinho perdeu o brilho do autoconhecimento, basta um click e se está conectado com centenas e até milhares de pessoas, esse contato ocorre em algumas plataformas até de forma simultânea. A cada dia o desejo de ser ouvido aumenta, tanto que pouco seletiva estão as pessoas, os feed de notícias muitas vezes são perfeitos diários. Falta abraço, falta afinidade, falta diálogo, falta habilidade na comunicação. Deseja-se um namorado(a), deseja-se uma companhia, deseja-se opinião. Mas cadê a interação? Cadê o convívio consigo? Estão concentrados na tela de um computador, de um tablet, de um celular e até mesmo na tela da tv Smart, ou seja, no mundo virtual.

Encare seus medos, aceite sua tristeza, enfrente o sedentarismo, tenha feedbacks presenciais, faça novos amigos, mostre-se ainda que nem todo mundo goste ou aprove, se aperfeiçoe enquanto cidadão, não se esconda em falsos perfis, não adoeça por não ser o melhor em tudo, ao  frustar-se saiba reconhecer sua expectativa. O medo pode lhe impulsionar ou lhe paralisar, qual sua escolha? A tristeza pode te trazer aprendizado ou te aprisionar, saiba a razão de sua tristeza. Medo e tristeza desproporcionais precisam de diagnóstico, busque ajuda. As redes sociais impedem que se sinta sozinho, a qualquer hora do dia e da noite, onde quer que esteja. No entanto, busque o equilíbrio entre atividades virtuais e presenciais, emoções reais e imaginárias, faça uso funcional das redes sociais, das plataformas digitais. O mundo real não é só encanto, mas é verdadeiro, ele traz inúmeras possibilidades de ir em busca de sonhos e realizações.

Reflita sobre o uso das Redes Sociais, estabeleça um tempo para ela e não se dedique integralmente.

Atente-se aos resultados das atividades presenciais.

Avalie os ganhos e perdas dentre as conexões que são construídas.

 

Complementando meu texto, sugiro:

- Filme: O Dilema das Redes

- Livro: O Dilema do Porco Espinho

 

Boa reflexão a todos.

Até o mês que vem.

 

 

Sou Psicóloga, com Extensão Universitária em Prevenção Ao Uso Indevido de Drogas e Especialização em Neuropsicologia Clínica. Atuo na área clínica desde o ano de 2000. Esta é minha bagagem técnica para levar informações e orientações à vocês.

Admiradora das 7 Artes Clássicas e, com muito apreço por algumas delas, especificamente: Pintura, Música, Literatura e Cinema. A habilidade desenvolvida não acompanha necessariamente essa ordem, mas a cada dia me envolvo um pouco mais em cada uma delas. Ainda falando de meus interesses, não poderia deixar de fora, a estratégia necessária para a diversão no Badminton; o click despretensioso para o registro Fotográfico inesquecível; em meio a sons e tons a noção de dimensão que apreciar a Natureza dá.

E assim, vou unindo meus estudos, meus interesses, minha admiração, minha formação, e minhas pesquisas para compor temas interessantes que proponham reflexões e, assim desfrutarmos juntos da delícia que é a Arte da Psicologia à Vida!

Comentários

  • Excelente texto. Parabéns!! !!!
    Sandra Amaral
    19/11/2020
  • Muito bom ! Parabéns ,bj????
    Luci
    21/11/2020
  • A psicologia é a busca da nossa essência e descobrir a nossa Bula !!! Parabéns Luciane
    María Helena Kimura
    22/11/2020
Aguarde..