Lições do Uso ao Abuso

Por Psicologia em Arte - Luciane Brito em 10/06/2021
Lições do Uso ao Abuso

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a dependência química como uma doença crônica, progressiva, ou seja, que piora com o passar do tempo, primária, que gera outras doenças e fatal. A dependência química é um transtorno mental e comportamental devido ao uso de substâncias psicoativas, caracterizado por um grupo de sinais e sintomas. Entenda-se por substância psicoativa “qualquer tipo de droga, que tem a finalidade de ser usada para produzir alterações no sistema nervoso cerebral e gerar alterações nas sensações, consciência ou estado emocional, de forma que seja intencional ou não”.

A origem da palavra droga vem do holandês antigo, que significa folha seca. E segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), droga é toda substância que, pela sua natureza química, afeta a estrutura e funcionamento do organismo.

As drogas, do ponto de vista legal, podem ser: lícitas e ilícitas.

  • Lícitas: podem ser comercializadas, embora haja restrição. Por exemplo: bebida alcoólica, cigarro, medicamento. Bebida alcoólica e cigarro não podem ser vendidos a menores de 18 anos. A compra do medicamento, bem como o uso devem estar acompanhados de prescrição e/ou receita médica.
  • Ilícitas: não podem ser livremente comercializadas, é proibida a venda.

 

Alguns dos critérios que evidenciam a dependência:

  • Tolerância. O que vem a ser a tolerância? É quando surge a necessidade de quantidades maiores da substancia para se alcançar o efeito desejado; ocorre a diminuição gradual dos efeitos e, por isso o aumento das doses. Já a tolerância invertida, é quando após algum tempo no uso, não há o aumento da quantidade e, sim quando a mesma quantidade ou doses menores também causam os efeitos anteriores.
  • Abstinência, expressa sob dois aspectos: - presença de sintomas desconfortáveis após interrupção ou diminuição do uso; - consumo da mesma substancia ou outra similar com a intenção de eliminar os sintomas físicos e/ou cognitivos apresentados.
  • A tentativa de controlar, parar ou reduzir o consumo é mau sucedida, apesar de expressar o interesse;
  • A utilização da substância ou dos efeitos é prioridade;
  • O lazer, a cultura, a vida ocupacional, social passa a ser limitada em detrimento do uso da substância;
  • Quando o uso não é interrompido, apesar da consciência dos malefícios.

 

A partir de tais critérios chegamos as características do dependente químico:

 

  • Nega a realidade
  • Minimiza o problema
  • Transfere para o outro as dificuldades encontradas
  • Incapacidade em lidar com problemas e frustrações
  • Manipulador

 

Os motivos pelos quais alguém experimenta a droga, podem ser diversos. Mas certamente não é o mesmo motivo pelo qual alguém se mantém no uso, evoluindo para o abuso. É muito possível, que principalmente as drogas lícitas sejam reconhecidas e aceitas como recreação, status, mas a bem da verdade para alguém que tenha pré-disposição à dependência química essa diversão pode transformar-se num labirinto muito bem arquitetado de modo que a saída não seja encontrada sem ajuda.

Os efeitos das drogas sejam elas lícitas ou ilícitas são extremamente sedutores, pois muitas vezes fazem esquecer (ainda que temporariamente) um problema, causam sensações de sensibilidade, falsa ideia de criatividade e tantas outras que por sua vez, não se mantém presentes com o uso recorrente; logo a sedução se transforma em armadilha e o usuário não mais escolhe o que e quando fazer uso pois, a necessidade de livrar-se dos sintomas da abstinência é muito maior do que o desejo de uso. E se até aqui, ainda se acreditava na administração do uso, o autoengano a partir de então fica evidente. O que era recreação não traz mais diversão, será que não é hora de reconhecer que ser autossuficiente é mais um obstáculo a sair do labirinto da dependência?!

A dependência química é também uma doença familiar, porque se quem abusa de uma substância psicoativa pode tornar-se um dependente, a família, os amigos, os responsáveis, aqueles que convivem tornam-se codependentes. O codependente é afetado pelo comportamento do dependente, que passa então a querer controlá-lo como forma de ajuda. No entanto, essa dedicação ao dependente faz com que se anule em detrimento do outro.

O que é saudável? Essa é uma boa pergunta e uma boa discussão.

O que é droga, quais os malefícios? Essas são perguntas que o texto de hoje trouxe definições. Mas para se fazer escolhas, nada mais justo e que tal dizer, nada mais coerente do que conhecer o caminho novo. Portanto, se a dependência química é um caminho que aprisiona, que coleciona reféns, está faltando o desejo em descobrir o que há do lado de fora da prisão; sim dá trabalho, mas é trabalhoso conviver com qualquer vício que seja.

 

Bom, esse é um assunto muito amplo, com características relevantes nesta linha tênue do uso ao abuso, no entanto espero que os esclarecimentos contidos nesse texto possam minimamente despertar em cada um o interesse à orientação, prevenção e também atenção ao que acontece ao redor de cada um, as armadilhas que possam estar no caminho.

Adoecer por opção não é uma escolha inteligente, permanecer doente limita o contato com os prazeres da vida, portanto buscar ajuda ao menos para tornar mais claro para si o que está acontecendo é um bom começo.

Que possamos nos encontrar por aqui no próximo mês.

Até lá!

 

 

Comentários

  • Excelente texto. Consegui vislumbrar exatamente as fases desses vícios que tem destruído muitas famílias. Muitos jovens infelizmente não tem conhecimento dessa alegria momentânea e embarcam nessa furada. Só quem vive é que sabe. Parabéns! Que possa abordar mais informações desse nível. Aprendi muito.
    Selma Cristina
    10/06/2021
  • Matéria interessante, faz a família pensar junto com dependente para que haja uma solução em comum.
    Vanderlei
    11/06/2021
Aguarde..